quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Palácio Mateus

 


A Casa de Mateus em Vila Real, foi mandada construir na primeira metade do século XVIII por António José Botelho Mourão, 3º Morgado de Mateus. Substitui-se à casa da família já existente no local em inícios do século XVII.


De arquitectura barroca, de gosto italiano, é atribuída a Nicolau Nasoni pela coerência do estilo e semelhança com outras obras de sua autoria. Segundo Robert Smith, especialista na sua obra, o arquitecto terá dedicado à construção da Casa, ou pelo menos à sua fachada central e decoração, os anos entre 1739 a 1743.


Para além do esplendor barroco da fachada principal e da riqueza da decoração, composta por cimalhas curvas, frontões, pináculos e estatuária, impressiona a racionalidade da planta e o rigor da métrica e da modulação.


A planta inscreve-se num rectângulo, e divide-se em dois quadrados vazados ao centro, que criam várias alas e compõem dois pátios ligados entre si por grandes aberturas no piso térreo. 

O pátio frontal é aberto libertando a vista da fachada principal recuada e voltada a poente, e o posterior é encerrado, e definem através dos grandes vãos do rés-do-chão um eixo central de perspectiva que atravessa toda a construção, e constitui um enfiamento de expressão clássica e grande harmonia.
 

O acesso ao piso nobre faz-se por duplas escadarias que se repetem nas fachadas transversais dos dois pátios, duas a poente e uma a nascente, e acentuam a simetria e o movimento barroco de toda a ornamentação.


O granito amarelo constrói as paredes duplas e desenha as cantarias, e a madeira de castanho aparente compõe as portadas, a talha que trabalha os tectos de caixotão simples ou abobadado e as sobreportas com motivos da heráldica da família.


Completam o conjunto a Capela e a Adega, contribuindo para a monumentalidade da leitura global, com as suas volumetrias de grande harmonia.


(41°17'49.15"N 7°42'46.65"W) Casa Mateus – Vila Real - Trás-os-Montes - Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge






Citânia de Santa Luzia - A "cidade velha"

 


A Citânia de Santa Luzia, conhecida localmente como "cidade velha", é um dos castros mais conhecidos do Norte de Portugal situado no Monte de Santa Luzia, bem ao lado do fantástico Santuário de Santa Luzia., sobranceiro a cidade de Viana do Castelo.


Com uma excelente vista sobre o Rio Lima, bem como a área costeira do Atlântico possibilitava condições únicas de defesa com controlo das vias marítimas e terrestres, na antiguidade o rio Lima seria navegável em grande parte do seu curso, o que dava a esta localização uma importância estratégica.


Este povoado fortificado estava delimitado por três linhas de muralha, complementadas por torreões e dois fossos e teve ocupação contínua entre os períodos da Idade do Ferro e a romanização, o que o converte sem dúvida, num dos locais mais importantes para o estudo da Proto-História e da Romanização do Alto Minho.


Segundo os estudiosos a distribuição das estruturas permite aferir momentos distintos de ocupação, podendo enquadrar a reestruturação do espaço entre o séc. I a.C. e o séc. I d.C.


O Povoado apresenta características muito próprias, principalmente ao nível das estruturas arquitetónicas, com destaque para o aparelho poligonal, utilizado em algumas casas, que apresentavam uma planta circular com um vestíbulo ou átrio e que, em alguns casos, albergavam fornos de cozer pão.


À semelhança de inúmeros castros desta área geográfica, A Citânia de Santa Luzia regista claramente vestígios de ocupação romana com algumas habitações de planta retângular e arruamentos perpendiculares.


(41°42'18.70"N 08°50'7.79"W) Monte de Santa Luzia – Viana do Castelo - Minho – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge


Forte de Nossa Senhora da Graça

 



O Forte de Nossa Senhora da Graça, oficialmente denominado como Forte Conde de Lippe, foi erguido numa posição dominante sobre o estratégico Monte da Graça, e integrava a defesa da Praça-forte de Elvas.


A boa posição estratégica do local evidenciou-se durante a Guerra da Restauração, quando as tropas espanholas ocuparam o local (monte da Graça) durante o cerco à cidade de Elvas no ano de 1658 que precedeu a Batalha das Linhas de Elvas a 14 de Janeiro de 1659.


A construção do Forte inicia-se em 1763 e é inaugurado por Dna. Maria em 1792, com o nome de Forte Conde de Lippe, militar que havia proposto a sua construção e que comandou o Exército português entre 1762 e 1764.


Para a sua construção foram precisos quase 30 anos, seis mil homens, quatro mil animais e 120 mil moedas de ouro.
O forte resistiu às tropas espanholas durante a chamada Guerra das Laranjas (1801) e, mais tarde, no contexto da Guerra Peninsular, às tropas do general Nicolas Jean de Dieu Soult, que a bombardearam (1811), não chegando a tomá-la.


Utilizado no passado como prisão militar, o conjunto encontrava-se até 2014 em condições próximas da ruína, Apos a sua cedência à Câmara Municipal de Elvas iniciaram-se obras de consolidação e restauro, que foram concluídas em setembro de 2015.


Em 2015, foram precisos quase 11 meses, 220 trabalhadores a tempo inteiro e 6,1 milhões de euros para o restaurar e reabilitar a tempo de no dia 27 de novembro de 2015, reabrir as suas portas ao público.


(38°53'41.45"N 7° 9'50.86"W) Elvas – Portalegre - Alto Alentejo – Portugal

Foto@Daniel Jorge

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Castelo de Alter do Chão

 


O castelo de Alter fica no centro histórico da vila, este castelo é representativo da arquitetura medieval trecentista, quando cooperava com o vizinho Castelo de Alter Pedroso na defesa desta região.


A atual conformação do castelo remonta ao reinado de Pedro I, que determinou a sua reconstrução em 22 de setembro de 1357, de acordo com a placa epigráfica de mármore sobre o portão principal. O soberano reformou o Foral da vila em 1359. Fernando I (r. 1367–1383) fez doação dos domínios da vila a Nuno Álvares Pereira, que por sua vez os doou a Gonçalo Eanes de Abreu.


Sob o reinado de João I, este monarca confirmou os domínios da vila e seu castelo ao Condestável Nuno Álvares Pereira. Este legou-o, por morte, à sua filha, que o transferiu, por casamento com o duque de Bragança, aos domínios desta Casa. Neste momento de sucessão, registrou-se uma campanha de obras no castelo (1432).


À época do reinado de João II, o então duque de Bragança, Fernando II, utilizou este castelo como prisão, argumento que viria a ser usado contra si quando das acusações por rebeldia e conspiração contra o soberano e que o condenaram à morte em 1483. Dom Manuel I outorgou o Foral Novo à vila a 1 de junho de 1512, datando deste período a construção da porta adintelada da alcaidaria.


O castelo, apresenta planta quadrangular, em estilo gótico inicial. Os panos de muralha, em aparelho de xisto e granito, são reforçados por seis torres: duas de planta quadrangular, dois cubelos cilíndricos nos vértices, um torreão de planta quadrangular a meio do pano Nordeste e um de planta quadrada sobre o portão, a meio do pano Sudoeste. O cubelo no vértice Leste é coroado por um coruchéu cônico. Um adarve percorre o alto das muralhas, protegido por ameias, apoiando-se, no troço Leste, em cachorros. Os merlões quadrangulares de seteiras alternadas que coroam algumas dessas torres foram refeitos durante as intervenções promovidas na década de 1940.


O portão do castelo, em arco ogival, é encimado por uma pedra de armas com uma inscrição epigráfica, que reza: 

“ ERAMILÉSSIMA: CCC E NOVENTA V ANOS XXII DIAS DE SETEMBRO O MUI NOBRE REI DOM PEDRO MANDOU FAZER ESTE SEU CASTELO D'ALTER DO CHÃO”.


O ano na inscrição corresponde a 1357 do Calendário Gregoriano. Por esse portão se acede à praça de armas na qual se abrem o poço e a cisterna. Em posição recuada na praça de armas, ergue-se a Torre de Menagem, com planta no formato quadrangular, elevando-se a 44 metros de altura, com o parapeito coroado por ameias tronco-piramidais. 

Internamente, divide-se em dois pavimentos, com tetos em abóbada de berço reforçados por arcos quebrados de cantaria, iluminados por janelas gradeadas.

 Todas as portas desta torre apresentam vergas em arco quebrado.
Contígua à Torre de Menagem, encontra-se a fachada da antiga alcaidaria e de outras dependências, com os seus muros rasgados por diversas portas, janelas e uma escadaria de acesso, que demonstram ter tido este castelo a função residencial. Sobre a porta da alcaidaria, com ombreiras de cantaria de granito, encontra-se outra inscrição epigráfica, que reza:

” ESTA OBRA MANDOU FAZER FERNÃO RODRIGUES VEEDOR DE DOM FERNANDO NETO DEL REI E CONDE D' ARRAIOLOS ERA DO MUNDO DE MIL jjjjc e X ANOS.” 

O ano na inscrição corresponde a 1372 do Calendário Gregoriano.


(39° 11.940' N 7° 39.519' W) Alter do Chão – Portalegre - Alto Alentejo – Portugal

 

Foto@Daniel Jorge

Villa Romana de Cardílio

 


Ruínas do "frigidarium", do "caldarium" e respectivo "hypocaustum", e uma divisão com mosaicos da villa romana de Cardílio.


A poucos quilómetros de Torres Novas encontramos as ruínas da Villa Romana de nome Cardílio, cuja ocupação foi compreendida entre os séculos I e IV d.C. Foi posta a descoberto pelas escavações a cargo do coronel Afonso Paço, a partir de 1962. Esta zona, conhecida há muitos anos pela população local, era utilizada como pedreira de onde recolhiam matérias para a construção de habitações, a exploração arqueológica do local só começou por influência da Câmara de Torres Novas. 


Do vasto espólio recolhido, podemos destacar, moedas dos séculos II, III e IV, d.C. cerâmicas, bronzes, ferros, vidros assírios e egípcios, estuques coloridos, anéis, pedras de coar e até uma estátua de Eros. Descobertas também as bases de um edifício, com mosaicos de cores vivas e motivos geométricos, predominando as tranças e entrelaçados, distribuídos pelas diversas salas, outros quadros representam aves, motivos agrícolas, os retratos dos donos da casa e inscrições em latim. 

O nome que é atribuído a esta estação arqueológica, deve-se a uma das inscrições que referem o nome de «Cardilium», provável dono desta vila, em que não faltava um jardim, sistema de distribuição de água e aquecimento.


(39°27'10.38"N 08°31'41.29"W) Caveira (Santa Maria) – Torres Novas – Região Centro – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

O encanto das aldeias de Xisto... Aldeia da Pena

 


Pelas ruas da Aldeia da Pena – Góis, encontramos detalhes de como o “homem” soube e sabe aproveitar a natureza para dela tirar o maior proveito, como é esta varanda edificada sobre uma grande fraga de Xisto.


Esta aldeia é o resultado perfeito da construção conjugando o xisto com o quartzito.


As condições topográficas levaram a que a aldeia se desenvolvesse ao longo de um promontório, parecendo que o casario se encontra em desafio às leis do equilíbrio e à força da gravidade.


A aldeia de Pena retira da água cristalina da ribeira todos os proveitos. Ali ao lado, os Penedos de Góis são uma proposta de aventura para os mais ousados (Texto retirado da página oficial das Aldeias de Xisto). 


(40º 06' 38.67" N 08º 08' 05.05 W), Pena – Góis – Coimbra - Região Centro – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

Ruínas Romanas de Tróia

 


Na face noroeste da península de Tróia junto a margem esquerda do rio Sado, mesmo em frente a Setúbal, encontramos as ruínas Romanas de Tróia, que abrangem várias construções do período entre os séculos I ao VI.


Estas ruínas Romanas são testemunho de um grande complexo de salgas de peixe, consideradas por alguns historiadores como a maiores fabricas de conserva de peixe de todo o império Romano.
As oficinas de salga eram constituídas por uma série de tanques (cetárias) organizados ao redor de um pátio central. 

Já foram identificadas um total de vinte oficinas, com dimensões variadas: a maior tinha mais de 1000 m2 e agrupava 19 tanques, enquanto que a menor tinha 135 m2 e 9 tanques. Pela grande densidade de tanques, acredita-se que era produzida uma considerável quantidade de conservas de peixe e molhos de peixe que eram levados de barco para Roma e outras províncias do Império Romano.


Alem das estruturas mais características de Troia que são as muitas oficinas de salga de peixe, existem também as ruínas de um núcleo habitacional com casas de rés-do-chão e primeiro andar (as chamadas "Casas da Princesa" em homenagem a infanta (e futura rainha) Maria I, que particionou na segunda metade do século XVIII as primeiras escavações arqueológicas conhecidas, nesta zona), várias necrópoles, um columbário, termas, uma roda de água (rota aquaria) e os restos de uma basílica paleocristã.


(38°29'10.48"N 08°53'4.95"W) Península de Troia – Carvalhal – Grândola - Setúbal - Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge