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terça-feira, 9 de novembro de 2021

Sabia que há oliveiras portuguesas mais antigas que Cristo?

 


A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) em cooperação com a empresa Oliveiras Milenares assegura a datação das mais antigas oliveiras portuguesas. A mais velha, até ao momento, tem a módica idade de 3.350 anos. Situa-se no concelho de Abrantes, onde é conhecida como a “Oliveira do Mouchão”.

Foram datadas centenas de outras oliveiras milenares em Portugal, uma com 2850 anos em Santa Iria de Azóia, várias em Monsaraz,uma delas com 2.450 anos, em Estremoz, Montemor-o-Novo, Lagoa, Beja, Vila Moura, Évora, Parque Serralves do Porto, entre outros pontos do país

José Luís Louzada, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), lidera uma equipa que, há vários anos, criou um método científico inovador que tem sido usado na classificação das oliveiras. O investigador aponta as razões da longevidade, “A oliveira está muito bem-adaptada ao nosso clima mediterrâneo. É sem dúvida um dos seres vivos que mais resiste ao tempo, pela sua grande capacidade de rejuvenescimento. Um pedaço de tronco por mais velho que esteja tem a capacidade de voltar a rebentar e a oliveira continuar a produzir azeitona”.

José Luís Louzada traça uma comparação que nos permite enquadrar a extraordinária longevidade destes seres vivo, “Há centenas de oliveiras portuguesas que já ultrapassam a idade de Cristo e podemos encontrá-las especialmente a sul do Mondego”, curiosamente “em muitos territórios nacionais, quem é dono das terras não é dono das oliveiras. Estas estão doadas, desde há séculos, a instituições que garantam a longevidade do seu uso, como sejam algumas irmandades religiosas ou as próprias Santas Casas da Misericórdia. E o azeite produzido é, muitas vezes, para sustento das igrejas e capelas, ou para alumiar nas lamparinas.”

terça-feira, 17 de agosto de 2021

A Princesa do Tâmega....Amarante

 


A bonita cidade de Amarante é uma das jóias do Norte de Portugal. Banhada pelo rio Tâmega, é como uma encruzilhada, para onde confluem a história, as tradições e a natureza, proporcionando, para lá das suas fronteiras, a descoberta do Douro, do Minho, de Trás-os-
Montes e das Terras de Basto, com as quais faz fronteira.


Amarante possui, também, uma das mais belas pontes portuguesas, robusta nos seus arcos graníticos, que constituiu durante séculos (mesmo antes da data de 1790 que ostenta) ligação fundamental da cidade do Porto com a região de Trás-os-Montes. Ponte heroica, é recordada pela defesa que as tropas do general Silveira nela fizeram, em 2 de maio de 1809, contra os invasores franceses. Parte da cidade ardeu, aliás, nesse ano, aquando do cerco pelos franceses do marechal Soult.

 


Descobrir Amarante é uma aventura que apetece viver! Aqui, a História pode ser lida em cada recanto, cada lugar, cada monte. Se procura arte e cultura, o percurso faz-se pela cidade, com passagem obrigatória pelos museus de Arte Sacra e de Amadeo de Souza-Cardoso; pelas Igrejas de S. Gonçalo, S. Pedro e S. Domingos e outros exemplares do barroco e do românico, espalhados pelo município. 

Se o seu fascínio é a natureza, então o destino é as Serras do Marão e da Aboboreira, que oferecem paisagens de sonho, trilhos encantadores e aldeias de xisto e granito ricas em tradições. O rio é o Tâmega, «rio divino do sagrado vale», no dizer de Teixeira de Pascoais. Vem de longe, dos lados de Chaves, e corre até ao rio Douro. No seu percurso, dá corpo a uma inconfundível paisagem de vales idílicos e de águas límpidas descendo pelas levadas. 

 



Amarante é uma placa giratória a proporcionar a descoberta do Minho, de Trás-os-Montes e das Terras de Basto, com as quais faz fronteira geográfica. Proporciona, também, a descoberta do Douro de dois modos: fica a 30 km da Régua, centro económico da região do Alto Douro Vinhateiro, e está ligada pela Linha Férrea do Tâmega à estação da Livração, na Linha do Douro. 

Por outro lado, está a uma distância de 60 km do Porto. No seu centro, ostenta mansões do século XVII com varandas de madeira pintadas em cores garridas ao longo das ruas estreitas e restaurantes e pastelarias com terraços sobranceiros ao rio.

Tavira....um oásis na região algarvia

 


Tavira, a capital portuguesa da Dieta Mediterrânea, é uma pequena cidade na costa algarvia de Portugal.

Estende-se ao longo do rio Gilão, que chega ao mar através das entradas das lagoas do Parque Natural da Ria Formosa.

A Ilha de Tavira conta com 11km de praia de areia branca, e salinas que atraem flamingos, colhereiros e outras aves pernaltas.

No centro, o castelo medieval de Tavira oferece vistas para a cidade.


A Igreja de Santa Maria do Castelo alberga os túmulos de 7 cavaleiros mortos pelos mouros.

Por ser cortada pelo rio, é conhecida por ser a Veneza do Algarve. Por fugir ao padrão de turismo de massas típico da Região onde se insere, e conservar a sua traça antiga, Tavira é um oásis na região algarvia que merece sem dúvida ser explorada.

 


 

 Fonte das fotos: https://www.algarvetips.com

domingo, 15 de agosto de 2021

Palácio D. Chica, em Braga.... foi considerado um dos dez mais belos e impressionantes “lugares abandonados” do mundo.

 



O Castelo da D. Chica, também conhecido como Castelo de Palmeira, Palácio de Dona Chica e Casa da Chica, é um edifício apalaçado que começou a ser construído em 1915.

Projetado pelo arquiteto suíço Ernesto Korrodi, fica situado na freguesia de Palmeira, em Braga. 

Passado mais de um século, em vez de apreciarmos o seu esplendor está abandono e degradado.

 




A sua história

A sua construção iniciou-se em 1915, por iniciativa de Francisca Peixoto de Sousa, nascida no Brasil, que mandou vir do seu país muitas das espécies arbóreas actualmente existentes na mata envolvente.

As obras foram interrompidas em 1919, quando Francisca se separou do marido.

Ao longo de sua história mudou várias vezes de proprietário, arrastando-se as obras por décadas, só sendo concluídas em 1991, adaptado a restaurante e bar.

Foi homologado como Imóvel de Interesse Público por Despacho de 20 de Fevereiro de 1985.

Atualmente o imóvel encontra-se num estado de abandono e degradação, depois de passar por uma disputa judicial quanto à sua posse, envolvendo várias entidades.

Museu da Broa... Viste estes seis moinhos recuperados em contacto puro com a natureza, enquanto aprecia as quedas de água e o verde da paisagem....

 


Em Capela, Penafiel, seis moinhos recuperados integrados numa zona verde e abraçados pelas águas do ribeiro da Trunqueira, traçam um percurso que dá origem ao Museu da Broa.


Na Capela, freguesia do concelho de Penafiel, inserido numa paisagem rural deslumbrante, encontramos o Museu da Broa.

Composto por seis moinhos recuperados e funcionais, o visitante é transportado até ao tempo em que estes constituíam um importante fator de sobrevivência. As mós trabalhavam noite e dia sem parar, produzindo a farinha que dava o sustento aos nossos antepassados: a broa.

Em contacto puro com a natureza, enquanto aprecia o verde da paisagem, o património recuperado, a melodia da água por entre as pedras, o visitante poderá observar o Ciclo Tradicional da Broa em dez painéis, distribuídos pelos moinhos. Neles estão representadas as etapas que trazem a broa à nossa mesa: o trabalho árduo no campo, a alegria na eira, o movimento da moagem, a recompensa pelo esforço de preparação da fornada de broa.
Os moinhos voltam a ganhar vida e o percurso deste ciclo traz-nos lembranças de um tempo que vale a pena (re)viver.


O Museu da Broa constitui um espaço cultural, pedagógico, patrimonial e de lazer preservado para memória da nossa história coletiva.

Contactos
Junta de Freguesia da Capela
Tlf./Fax: +351 255 615 363



Fotos de:
José Garcia

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Fortaleza de Juromenha

 


 Fortaleza de Juromenha (Séc. XVII), foi em tempos remotos considerada uma das chaves da fronteira do Alentejo.


Construída no período entre a Guerra da Restauração e a Guerra Peninsular (terceiro quartel do século XVII), no local ponde existiu um castelo medieval, a fortificação é considerada do tipo misto, apresenta planta poligonal, composta por duas cinturas de muralhas, uma interna, onde se inscreve a antiga Torre de Menagem, e outra, externa, do tipo abaluartado no sistema de Vauban, onde se observa a presença dos diversos elementos deste tipo de fortificação: cortinas, revelins, fossos-secos, canhoneiras e outros.


No interior das suas muralhas foram edificadas a Igreja Matriz e a Igreja da Misericórdia, bem como reedificado o antigo Paço do Concelho e cadeia. Uma cisterna de planta rectangular, abastecia a guarnição e os habitantes.


As primeiras referências ao sítio da Juromenha datam da segunda metade do século IX. Durante mais de duzentos anos este local foi considerado a praça-forte de defesa da zona de Badajoz, pertencendo desde o século X ao Califado de Córdova. Em 1167 D. Afonso Henriques conquistou a fortaleza, mas esta voltaria ao domínio do Califa Almasor em 1191. 

Este espaço de defesa do Guadiana só seria definitivamente reconquistado pela Coroa portuguesa em 1242.
Apesar de ter sido objecto de uma total reconstrução em 1312 por ordem de D. Dinis, a fortaleza foi entrando em progressiva decadência a partir do século XVI, só sendo revitalizada no período pós-Restauração, devido à sua importância estratégica.


No ano de 1644 eram apresentados ao Conselho de Guerra de D. João IV três planos de fortificação de Juromenha, que tinham como objectivo adaptar a velha fortaleza medieval à artilharia seiscentista. 

O da autoria do Padre João Cosmander, foi escolhido pelo Conselho, embora algum tempo depois as obras tenham sido interrompidas devido aos elevados custos materiais e à inviabilidade técnica do mesmo. Sendo então o plano, da autoria do engenheiro francês Nicolau de Langres, aprovado em 1646.


(38°44'16.89"N 07°14'22.97"W). Juromenha – Alandroal – Évora - Alentejo – Portugal

Foto@ Daniel Jorge

Castelo Medieval de Portel

 




O castelo de Portel ergue-se em posição dominante num dos contrafortes da serra de Portel, sobre a vila medieval.


A construção do castelo teve início durante a segunda metade do século XIII sendo senhor das terras de Portel Mafomede João de Aboim por doação de D. Afonso III de Portugal.


O castelo, apresenta um estilo gótico, com planta heptagonal reforçada por torres de planta circular nos vértices. A sua forma, novidade na arquitetura militar portuguesa à época, parece ter sido inspirada no Castelo de Angers, na França. É dominado por uma imponente torre de menagem, de planta quadrangular, que se ergue a cerca de vinte e cinco metros de altura, dividida internamente em dois pavimentos acima da linha do adarve, ambos cobertos por abóbada em cruzaria de ogiva. O pavimento inferior serviu de cárcere. Foi utilizada a pedra mármore nos cunhais e nas janelas góticas. A porta de acesso à torre é em ogiva.


Apos a morte de João Aboim e devido a contenda entre os herdeiros pela posse da honra, o castelo reverteu para a posse da Coroa durante o reinado de D. Dinis, que então construi a cerca da vila.


No contexto da crise de 1383-1385, Fernão Gonçalves de Sousa, alcaide de Portel, tomou o partido de Castela, e com receio dos moradores, tomou-lhes as armas a todos e pô-las no castelo. Em Novembro de 1384, no desenvolvimento da campanha alentejana pelas forças do Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, um clérigo de Portel, de nome João Mateus, abriu-lhes as portas da vila, facilitando a conquista da povoação e a rendição do castelo. Os seus domínios, após a batalha de Aljubarrota estariam compreendidos na ampla doação de terras e direitos que o soberano fez aquele Condestável, passando, por sucessão, para os domínios da Casa de Bragança.
Posteriormente, sob o reinado de D. Manuel I, a povoação e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509). 

 

Nessa época a estrutura do castelo foi remodelada dando lugar ao paço dos duques de Bragança e a uma barbacã (1510), ficando as obras a cargo do arquitecto-régio Francisco de Arruda, por instância de D. Jaime, duque de Bragança.


Perdida a sua função defensiva, afastado da linha lindeira e das principais vias de acesso ao território alentejano, o castelo foi progressivamente abandonado até se converter em ruínas no século XIX.


(38°18'32.41"N 07°42'10.94"W) Castelo – Portel – Évora - Alentejo - Portugal

 

 

Foto: @Daniel Jorge

No “Reino” mágico do Minho… Aldeia de Sistelo e os seus Socalcos…

 


A aldeia de Sistelo situa-se no concelho de Arcos de Valdevez, na fronteira do Parque Nacional da Peneda-Gerês, junto à nascente do rio Vez. Famosa pelas suas paisagens em socalcos, onde se cultiva o milho e pasta o gado, a aldeia encontra-se muito bem preservada, tendo sido recuperadas as casas típicas de granito, os espigueiros e os lavadouros públicos.


O Castelo de Sistelo, ex-líbris da aldeia, trata-se na verdade mais de um palácio de finais do século XIX onde viveu o Visconde de Sistelo.


A Direcção Regional de Cultura do Norte reconheceu a freguesia de Sistelo, nos Arcos de Valdevez, como ‘paisagem cultural’.
Sistelo é famoso pelos seus socalcos, que surgem pela necessidade de aumentar a superfície agrícola e de contrariar os declives. São plataformas mais ou menos planas de solo profundo e fértil, construídas nas vertentes das montanhas, sobrepostas umas às outras em escadaria e suportadas por grandiosos muros de pedra. Estas estruturas permitiriam o desenvolvimento de uma agricultura de subsistência de extrema importância para a sobrevivência das comunidades rurais.


Segundo o Autarca de Arcos de Valdevez; os excecionais socalcos de produção agrícola, únicos no país, e que valeram já a Sistelo uma outra classificação informal, a de 'pequeno Tibete português'".


(41°58'24.74"N 08°22'27.65"W) Sistelo - Arcos de Valdevez - Viana do Castelo- Minho – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

Praia do Creiro e a Pedra da Anicha.

 


Aos pés da Serra da Arrábida, entre a praia dos Coelhos e o Portinho da Arrábida encontra-se a praia do Creiro apresenta um areal muito extenso que compreende quase metade da linha costeira da baía em que está inserida, e destaca-se pela curiosidade da Pedra da Anicha, uma pequena ilhota frente ao conhecido “monte branco”.


A Pedra da Anicha é o ex-libris da Arrábida, um pequeno ilhéu envolto em lendas e mistério como é a história do “Deus Demónio da Pedra da Anicha”.


Está a 100 metros da costa, na praia do Portinho da Arrábida e tem 60 metros de comprimento. 

A enorme diversidade biológica que apresenta deve-se aos fundos arenosos sobre os quais assenta. 


No acesso a praia, ao descermos o final da encosta da Serra da Arrábida, encontra-se um sito arqueológico da época Romana, aqui erguia-se um complexo industrial de produção de salgas de peixe da época Romana (Séc. I-V d.C.) composto por fábrica, balneários e armazéns.


Esta fábrica Romana de Salgas de Peixe foi construída no terceiro quartel do Séc. I d.C.


(38°28'49.44"N 08°58'39.32"W) praia do Creiro - São Lourenço - Azeitão - Setúbal - Portugal

 

Foto@Daniel Jorge

 

 


Capela de Santo Amaro - um dos grandes tesouros renascentistas da capital portuguesa.



Lisboa encantada… galilé semicircular da Capela renascentista de Santo Amaro...


Fantástica galilé semicircular em que as paredes estão totalmente revestidas por azulejos policromos tardo-maneiristas com figurações alusivas a Santo Amaro.


Situada no topo de uma colina sobranceira ao Rio Tejo, perto do vale de Alcântara, a Capela de Santo Amaro é um dos grandes tesouros renascentistas da capital portuguesa. 

A Capela espelha o misticismo da cidade das sete colinas. Foi desde cedo local de romaria, tornando-se famosa pela Romaria de Santo Amaro, uma das mais apreciadas em toda a cidade, tendo a última sido realizada em 1911.


A Ermida/Capela de Santo Amaro, foi edificada em 1549 conforme indica a inscrição colocada sobre a porta principal do templo, o projeto é atribuído a Diogo de Torralva, um dos grandes arquitectos do século XVI português, que tão bem explorou e entendeu o novo gosto do Maneirismo, nomeadamente as vias da tratadística italiana da época.


De estrutura centralizada, única na cidade de Lisboa, é composta por dois cilindros, sendo o núcleo da estrutura o espaço circular do oratório, envolvido em metade da sua área por uma galilé semicircular que compõe a fachada, à qual corresponde, do lado oposto direito, à sua pequena capela-mor, sacristia, também cilíndrica com pinturas a óleo no teto.


Foi Templo de peregrinação, e a fundação da capela dedicada ao santo milagreiro está envolta em lendas, não se sabendo ao certo se a sua instituição se deve a um grupo de marinheiros galegos ou a uma confraria instituída no local em 1532 por freires da Ordem de Cristo, com autorização régia de D. João III.


O adro da capela é também por sua vez um dos mais interessantes miradouros de Lisboa, uma maravilha escondida entre as ruelas e colinas de Lisboa, quase sempre deserto, acabou por tornar-se um refúgio perfeito para quem procura um sítio sossegado e interessante para apreciar panorâmicas privilegiadas sobre o Tejo e a Ponte 25 de Abril.


(38°42'6.83"N 09°10'56.78"W) Capela de Santo Amaro - Alcântara– Lisboa – Portugal

 

Foto@Daniel Jorge

Forte da Ínsua - Praia de Moledo

 


No extremo norte da praia de Moledo a 200m da costa, encontra-se a Ínsua de Santo Isidro, uma pequena ilha rochosa, numa excelente posição estratégica um pouco antes da foz do rio Minho, local escolhido para a construção do Forte da Ínsua.


Aqui inicialmente construíram uma capela e era local de culto, posteriormente, em 1392, frades franciscanos da Galiza sob a direcção de frei Diogo Arias, edificaram um cenóbio (Convento) na ínsula. Datará desse período a primeira fortificação no local, com a função de protecção da barra daquele rio e dos religiosos, erguida por determinação de João I de Portugal.
posteriormente foram construindo e reconstruindo fortificações para a protecção contra Piratas e Corsários tendo no século XVII e XVIII sido alvo de obras que o transformaram num baluarte de defesa da costa.


O actual forte setecentista resulta de obras de de construção/reconstrução sob o reinado de João IV de Portugal.
A actual Fortificação marítima abaluartada, apresenta planta estrelada irregular, com cinco baluartes e revelim, integrando no seu interior construções do convento, ampliado em 1676.
Nos cunhais dos quatro baluartes principais foram erguidas guaritas facetadas com cobertura em calote esférica, e num dos panos da muralha foi edificado um balcão rectangular sobre mísulas, com cobertura semelhante. A meio do pano da muralha rasga-se o portão de armas, em arco pleno, inserido numa estrutura rectangular em ressalto, sobre a qual assenta um frontão triangular, cujo tímpano é decorado por três brasões com as armas de Portugal e do Governador.


Numa lápide com inscrição alusiva à edificação da fortificação pode-se ler:


"A Piedade do muito Alto e Poderoso monarca el rei D. João IV / ministrada pela intervenção e assistência de D. Diogo de Lima / Nogueira General e Visconde de Vila Nova da Cerveira Governador das / armas e exército da Província de Entre Douro e Minho dedicaram / esta fortificação à sereníssima Rainha dos Anjos Nossa Senhora / da Ínsua para asilo e defesa das religiosas da Primeira Regra / Seráfica que assistem nos contínuos júbilos desta Senhora debaixo / de cujo patrocínio se assegura a defesa desta corte. Fez-se a / obra na era de 1650"


A praça de armas é dividida em duas áreas. A primeira corresponde a uma ampla plataforma lajeada, onde foram edificados os quartéis, depósito e cozinha. 

No espaço restante foi incorporado o convento, de estrutura sóbria e austera, de modelo chão, cujo conjunto é formado pela igreja, de planta longitudinal composta por nave única coberta por abóbada de berço e sacristia, e pelo claustro, de planta quadrangular, com alas compostas por colunatas jónicas.


Um poço de água potável abastecia a guarnição, composta por um Governador (comandante) e doze praças, revezados semanalmente. Esse poço é notável por se situar no mar, sendo um dos três únicos existentes no mundo.


(41°51'32.54"N 08°52'28.84"W) Ínsua de Santo Isidro - Moledo – Caminha – Viana do Castelo - Portugal

 

Foto@Daniel Jorge

Torre Romana de Centum Cellas - Belmonte…

 


Torre Romana de Centum Cellas também é referida como Centum Cellae ou em outra hora conhecida como Torre de São Cornélio.


Trata-se de um singular monumento lítico em ruínas que, ao longo dos séculos, vem despertado as atenções de curiosos e estudiosos, suscitando as mais diversas lendas e teorias em torno de si.


Uma das tradições, por exemplo, refere que a edificação teria sido uma prisão com uma centena de celas (donde o nome), onde teria estado cativo São Cornélio (donde o nome alternativo).
O monumento, em si, apresenta-se como um dos mais emblemáticos, de todos quantos existem na Beira Interior e se atribuem à presença romana no nosso território.


Estudos realizados pelo IPPAR, entre 1993 e 1998, demonstraram que o edifício da Torre não se encontrava isolado, antes, sim, inserido num conjunto estrutural mais amplo e complexo, que incluía diversos compartimentos, de entre os quais sobressaiam salas, corredores, escadarias, caves e pátios. 

Torre revela-se a parte central e melhor conservada daquela que terá constituído a uilla de Lucius Caecilius, um abastado cidadão romano, negociante de estanho, que, em meados do século I d. C. mandou edificar a sua residência nesta zona, sob direcção de um arquitecto, o qual, ao que tudo parece indicar, conheceria com profundidade as técnicas construtivas ditadas por Vitrúvio.


Composta de apenas dois pisos, a Torre reveste-se de uma evidente centralidade e imponência arquitectónica, em redor da qual se desenvolveu a restante estrutura habitacional, desempenhando um papel de autêntico epicentro das suas eclécticas tarefas diárias.


Datando a sua construção inicial do século I d. C., este edifício foi parcialmente incendiado e destruído em finais do século III, altura em que foi alvo de algumas alterações, designadamente ao nível da disposição dos vários elementos que o compunham na origem. 

De entre este conjunto de remodelações, realçamos a presença de uma sala com abside e larário, para cuja edificação foram reaproveitados materiais pertencentes às estruturas preexistentes. Entretanto, datará da Alta Idade Média a construção de uma capela dedicada a São Cornélio sobre as ruínas da própria uilla, reempregando, para o efeito, e uma vez mais, parte dos seus materiais constitutivos. Esta capela viria, no entanto, a desaparecer já em pleno século XVIII.


(40°22'39.20"N 07°20'33.83"W) Colmeal da Torre – Belmonte - Castelo Branco - Cova da Beira - Portugal

 

Foto@Daniel Jorge

Por terras de Torres Novas... o Castelo e a estatua de D. Sancho I...

 



O castelo de Torres novas foi construído numa posição dominante sobre a vila, à margem do rio Almonda, e fazia parte integrante da chamada Linha do Tejo.


É certo que aqui existia uma povoação Muçulmana à época da Reconquista cristã da Península Ibérica, cuja posse deve ter oscilado ao sabor dos avanços e recuos da linha fronteiriça. Embora se acredite que uma conquista inicial remonte a 1135, perdida em 1137, as fontes documentais são acordes em que Turris foi definitivamente conquistada pelas forças sob o comando de D. Afonso Henriques em 1148, na sequência das conquistas de Santarém e Lisboa, no ano anterior.


Não estão esclarecidas as origens do castelo de Torres Novas, em particular quanto a uma possível ocupação pré-medieval. Ao certo sabe-se que D. Sancho I promoveu a construção de um recinto fortificado, destruído no século XIV no contexto das Guerras Peninsulares que caracterizaram o reinado de D. Fernando. 

O mesmo monarca ordenou a reparação e reconstrução da estrutura, datando dessa campanha de obras os elementos materiais mais relevantes que compõem o castelo. A condução dos trabalhos ficou entregue a mestre Estêvão Domingues e o vedor das obras foi o juíz Lourenço Peres de Santarém, informações que constavam de duas lápides colocadas junto às portas da Praça e do Salvador, e, entretanto, removidas dos seus locais originais.


A configuração do castelo é vincadamente gótica, com planta escudiforme defendida por dez torres quadrangulares salientes da muralha e com acesso preferencial pelo adarve. A porta principal localiza-se no troço Sul e integra-se na antiga casa do Alcaide, que controlava assim o movimento de pessoas e de bens dentro das muralhas. Deveria ser aqui que se localizava a torre de menagem, embora a tradição a identifique no ponto imediatamente oposto, junto à Porta da Traição.


Fortemente danificada pelo terramoto de 1755, que terá ocasionado a derrocada de quatro torres, as décadas seguintes assistiram à reconversão funcional de alguns elementos: o paço do alcaide foi transformado em cadeia e os terrenos contíguos aproveitados por privados, a ponto de o alcaide Francisco Feliciano Castelo Branco, em 1790, reclamar a posse dessas propriedades. Em 1835, o interior do recinto passou a ser usado como cemitério e, finalmente, a 3 de Abril de 1839, D. Maria concedeu à Câmara a plena posse do castelo. 

Esta doação precipitou a ruína do conjunto, uma vez que a opção municipal foi a desmantelar a estrutura, processo parcialmente revertido nas décadas de 40 a 60 do século XX, altura em que a DGEMN reconstruiu alguns troços e as torres que se encontravam praticamente demolidas. (Informação retirada do Web-Site da Direção-Geral do Património Cultural)


(39°28'45.82"N 8°32'25.36"W) Torres Novas - Santarém - Região Centro – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

No coração de Bragança...Praça da Sé

 



Na cidade de Bragança, a Praça da Sé é um local incontornável de quem visita a cidade, actualmente dominada pela antiga igreja da Sé, hoje em dia denominada oficialmente de igreja paroquial de São João Baptista.


Foi a partir dos últimos anos do séc. XVIII que se tornou progressivamente o “coração da urbe”. Em 1864 ainda aí funcionava um mercado diário de “cereais e todos os géneros comestíveis”.
Nos fins do Séc XVII, no centro da praça foi ali erigida a emblemática cruz, conhecida localmente como o “Cruzeiro” - precoce peça escultórica de fuste serpenteado e decorado com motivos vegetalistas para substituir uma outra aí existente.


A actual igreja da Sé fazia parte de um convento de Clarissas, que a Câmara de Bragança decidiu fundar na cidade em 1535, nosterrenos pertencentes ao mosteiro beneditino de Castro de Avelãs.


Para a execução da obra e direcção dos trabalhos, iniciados em 1539, foram contratados como mestres de obra Pêro de la Faia e Fernão Pires. Patrocinado por D. Teodósio I, 5º duque de Bragança, o complexo conventual foi concluído em 1550. Há relatos que indicam que embora o convento estivesse terminado, não tinha religiosas suficientes para o seu funcionamento, pelo que o edifício foi entregue à Companhia de Jesus em 1561, que o transformou em colégio.


Com a expulsão da Companhia de Jesus do território nacional em 1759, o edifício passou para a posse da Coroa. Em 1764 o templo foi elevado a Sé, quando a sede de diocese foi transferida de Miranda do Douro para Bragança.


Com a inauguração da nova catedral em 2001, o templo passou a ser uma igreja paroquial.


A igreja de São João Baptista pode ser classificada como um templo de tipologia híbrida, edificado na sua origem segundo um modelo de gosto classicista que foi posteriormente adaptado aos módulos contra-reformistas da arquitectura jesuíta. O programa decorativo do espaço interior, já plenamente barroco, é considerado um dos melhores da região.


Através da sacristia tem-se acesso ao claustro, de traça renascentista, dividido em dois registos. No primeiro piso, as galerias são formadas por cinco tramos, de ordem toscana, e no segundo a galeria é fechada, marcada por janelas geminadas de moldura rectangular.


Praça da Sé (41°48'21.63"N 06°45'24.21"W) Praça da Sé - Bragança - Trás-os-Montes - Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

Igreja de Santo Ildefonso - uma das igrejas mais bonitas da cidade do Porto.

 

 

Situada numa das extremidades da Praça da Batalha, a igreja de Santo Ildefonso insere-se num enquadramento urbano muito particular. 


Não são conhecidas as edificações anteriores à actual igreja de Santo Ildefonso. Sabe-se apenas que existia, no século XII, uma ermida que terá sido sagrada pelo bispo D. Pedro Pifões. Desta ermida nasceu, então, a igreja de Santo Ildefonso, nos anos 30 do século XVIII. 

Antecedida por uma escadaria de dimensões consideráveis, a fachada denuncia uma tipologia barroca de grande austeridade. O corpo central surge um pouco avançado em relação aos laterais, rematados por torres sineiras. 

Sobre a porta principal, o frontão triangular exibe tímpano com a inscrição "Ildefonse per te vivit domina mea 1730". Sobre o entablamento denticulado, o nicho acolhe a figura do orago da igreja. O revestimento azulejar, da autoria de Jorge Colaço data já do século XX, nomeadamente de 1932, e apresenta painéis figurativos onde se representam cenas da vida de Santo Ildefonso e alegorias à Eucaristia.


No interior, perde-se a noção longitudinal que o exterior aparentava. A nave octogonal configura um espaço centralizado, animado por pilastras que conferem ritmo ao conjunto. A capela-mor, ampliada no decorrer da campanha de obras de meados do século XIX, apresenta retábulo em talha executado por Miguel Francisco da Silva em 1745, mas sob risco de Nicolau Nasoni. 

Aquele entalhador lisboeta seria, mais tarde, responsável pelo grande retábulo da igreja de São Francisco do Porto. Em Santo Ildefonso o desenho atribuído a Nasoni valoriza motivos decorativos - flores, grinaldas, festões, anjos - em detrimento dos motivos arquitectónicos, antecedendo, de alguma forma, a exuberância da talha e das igrejas forradas a ouro que caracterizaram a cidade no decorrer do século XVIII. (Informação retirada do Web-Site da Direção-Geral do Património Cultural)


(41° 8'45.91"N 08°36'24.15"W) Praça da Batalha - Porto – Região Norte – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

Jardim do Paço Episcopal (ou de S. João Baptista) em Castelo Branco.

 


Escadaria monumental na qual desfilam os monarcas da 1ª e 2ª dinastias, além do Conde D. Henrique no magnifico Jardim do Paço Episcopal (ou de S. João Baptista) em Castelo Branco.


Curiosamente no patamar fundeiro, antes da ascensão, encontram-se os reis intrusos (os Filipes) e o Cardeal D. Henrique, adepto da causa castelhana, estatuas de menores dimensões. 


Na cultura Ocidental, o conceito bíblico do Éden serviu de matriz, ao longo dos tempos, a inúmeras propostas de jardins. Dai que o jardim seja considerado uma evocação, ainda que imperfeita, do Paraíso na terra.


O Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco com uma área de 5 418 m2, revela-se como um dos mais originais exemplares do barroco em Portugal.


Foi o Bispo da Guarda, D. João de Mendonça que encomendou e provavelmente orientou as obras do Jardim. Este formoso jardim barroco, em forma rectangular, é dominado por balcões e varandas com guardas de ferro e balaústres de cantaria. Dispõe de cinco lagos, com bordos trabalhados, nos quais estão montados jogos de água. Em termos formais o Jardim divide-se em quatro sítios diferentes, mas ligados por diversos pontos de articulação: a entrada, o patamar do buxo, o Jardim Alagado e o Plano Superior. 

A Entrada actual do jardim faz-se pelo R. Bartolomeu da Costa desde 1936. O desenho obedeceu ao espírito do lugar, quer no que diz respeito aos Canteiros quer à Escadaria monumental que conduz ao Plano Superior O patamar do Buxo tem planta rectangular, constitui o patamar principal do jardim e divide-se em 24 talhões limitados por sebes de buxo. É aqui que se encontram, numa alusão às 5 chagas de Cristo, cinco lagos com repuxos. É aqui também que se encontra a Escadaria dos Reis, repuxos e jogos de água surpreendentes. 

Por entre canteiros de buxo de fino recorte, erguem-se simbólicas estátuas de granito, em que se destacam os Novíssimos do Homem, Quatro Virtudes Cardeais, as Três Virtudes Teologais, os Signos do Zodíaco, as Partes do Mundo, as Quatro Estações do Ano, o Fogo e a Caça. Dispostos à maneira de escadório, acham-se representados os Apóstolos e os Reis de Portugal até D. José I. O Jardim alagado contíguo ao anterior. 

Parece emergir de um lago. É pela escadaria do lado poente que se chega ao patamar superior do Jardim onde se encontram estátuas alusivas ao Antigo Testamento e à simbologia da água como elemento purificador.


(39°49'40.16"N 07°29'37.73"W) Jardim do Paço Episcopal – Castelo Branco – Região Centro – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

O Café Majestic é considerado um dos mais belos do mundo!

 



O Café Majestic é um café histórico na Rua de Santa Catarina, um dos ex-libris da cidade do Porto.


A sua relevância advém tanto da ambiência cultural que o envolve, nomeadamente a tradição do café tertúlia, onde se encontravam várias personalidades da vida cultural e artística da cidade, como também da sua arquitectura de identidade Arte Nova, em 2011 entrou no “TOP 10 MOST BEAUTIFUL CAFÉS IN THE WORLD “, sendo considerado o sexto café mais bonito do mundo.
Inaugurado a 17 de dezembro de 1921, com o nome de "Elite", o café, esteve desde logo associado a uma certa frequência das pessoas distintas da época. Um dos que estiveram presentes na inauguração foi o piloto aviador Gago Coutinho, acabado de chegar de uma viagem à ilha da Madeira, e que ficou encantado com o esplendor da decoração arte nova.


No ano seguinte o nome mudaria de Elite para Majestic, sugerindo o Chic Parisiense, mais ao encontro da clientela que pretendia atrair, e tão apreciado na época.


Frequentaram o café nomes como Teixeira de Pascoaes, José Régio, António Nobre, o filósofo Leonardo Coimbra. Mais tarde tornou-se lugar assíduo para os estudantes e professores da Escola de Belas Artes do Porto.


Uma outra das conhecidas tertúlias que o animou era constituída pelo escultor José Rodrigues e pelos pintores Armando Alves, Ângelo de Sousa e Jorge Pinheiro. Este grupo adoptaria, devido à classificação final do curso, o irónico nome de "Os quatro vintes", e manter-se-ia unido numa série de exposições no Porto, em Lisboa e em Paris no período 1968-1971.


Na biografia de J.K. Rowling escrita por Sean Smith, refere-se que a escritora passava muito tempo no Café Majestic a trabalhar no primeiro livro "Harry Potter e a Pedra Filosofal"


O Café Majestic de traça idealizada pelo arquitecto João Queirós, inspirada na obra do mestre Marques da Silva, permanece ainda hoje como um dos mais belos e representativos exemplares de Arte Nova na cidade do Porto. O edifício, fundeado em 1916 no ângulo formado pelas ruas de Santa Catarina e Passos Manuel.


A imponente fachada em mármore, adornada com aspectos vegetalistas de formas sinuosas, reflecte o bom estilo decorativo da altura. Um trio de elegantes colunas marca a frontaria, limitada por uma secção rectangular, rasgada em vidro. No topo um frontão coroa a composição com as iniciais do Majestic. 

Ladeiam-no duas representações de crianças que, divertidas, convidam o transeunte a entrar. Dentro do estabelecimento, de planta rectangular, reina a linguagem Arte Nova.

 A simetria curvilínea das molduras em madeira e os pormenores decorativos cativam a observação. Grandes espelhos riscados pela idade, intercalados por candeeiros em metal trabalhado, delimitam as paredes num inteligente jogo óptico de amplitude, que lhe dá uma dimensão maior que a real.


A 24 de Janeiro de 1983 foi classificado como Imóvel de Interesse Público e "património cultural" da cidade, e hoje é, indubitavelmente, uma das mais importantes atrações turísticas da cidade do Porto.


(41° 8'49.98"N 08°36'24.20"W) Rua de Santa Catarina - Porto - Região Norte – Portugal

 

@Foto Daniel Jorge

Santuário do Senhor Jesus da Pedra

 


Imponente construção em formato hexagonal, mesmo aos “pés” da Vila medieval de Óbidos.


Santuário em estilo barroco, esta Igreja destaca-se sobretudo pela originalidade da articulação da sua planta hexagonal, inscrita numa circunferência, à qual se anexam três corpos, dois correspondentes às torres e outro que corresponde à sacristia. 

No seu programa de simetrias destaca-se o jogo de janelas invertidas. O seu interior apresenta três capelas: a capela-mor dedicada ao Calvário, com uma tela de André Gonçalves, e as capelas laterais dedicadas a Nossa Senhora da Conceição e à Morte de São José, com telas de José da Costa Negreiros. 

Destacam-se ainda as belas talhas barrocas, mármores, imagens e mobiliário, com telas de Vieira Portuense e de Pedro Alexandrino de Carvalho.


Como é apanágio da época e também da nossa cultura, este santuário está envolto em lendas que pretendem justificar a origem do Santuário. Possuem em comum a acção milagrosa de uma antiga cruz de pedra com a imagem esculpida de Cristo crucificado, hoje exposta no altar-mor da igreja.


A mais popular e que nos dias que vivemos hoje seria de grande importância (devido a seca que vivemos), afirma que na década de 1730, vivendo a região uma prolongada seca com grandes prejuízos para a agricultura, um lavrador foi chamado pela imagem, que se encontrava escondida num combro por entre silvados, em terreno da Colegiada de Santa Maria de Óbidos, junto à estrada que ligava esta vila a Caldas da Rainha. A imagem "clamou-lhe" veneração, o que o lavrador veio a cumprir com o concurso de alguns outros populares, registando-se a partir de então as chuvas.


A tradição pretende ainda que aquela pequena escultura havia ali sido colocada pela própria rainha D. Leonor, para indicar o caminho das águas curativas de Caldas, constituindo-se em objecto de veneração à época daquela soberana, mas tendo depois caído no esquecimento. 

Com a sua redescoberta pelo lavrador e o subsequente "milagre", a imagem voltou a ser objecto de devoção popular, tendo sido erigida uma capela de madeira para albergá-la, e pouco mais tarde este magnifico santuário.


(39°21'52.43"N 09° 8'59.96"W), Óbidos – Leiria - sub-região do Oeste – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge


Palácio Mateus

 


A Casa de Mateus em Vila Real, foi mandada construir na primeira metade do século XVIII por António José Botelho Mourão, 3º Morgado de Mateus. Substitui-se à casa da família já existente no local em inícios do século XVII.


De arquitectura barroca, de gosto italiano, é atribuída a Nicolau Nasoni pela coerência do estilo e semelhança com outras obras de sua autoria. Segundo Robert Smith, especialista na sua obra, o arquitecto terá dedicado à construção da Casa, ou pelo menos à sua fachada central e decoração, os anos entre 1739 a 1743.


Para além do esplendor barroco da fachada principal e da riqueza da decoração, composta por cimalhas curvas, frontões, pináculos e estatuária, impressiona a racionalidade da planta e o rigor da métrica e da modulação.


A planta inscreve-se num rectângulo, e divide-se em dois quadrados vazados ao centro, que criam várias alas e compõem dois pátios ligados entre si por grandes aberturas no piso térreo. 

O pátio frontal é aberto libertando a vista da fachada principal recuada e voltada a poente, e o posterior é encerrado, e definem através dos grandes vãos do rés-do-chão um eixo central de perspectiva que atravessa toda a construção, e constitui um enfiamento de expressão clássica e grande harmonia.
 

O acesso ao piso nobre faz-se por duplas escadarias que se repetem nas fachadas transversais dos dois pátios, duas a poente e uma a nascente, e acentuam a simetria e o movimento barroco de toda a ornamentação.


O granito amarelo constrói as paredes duplas e desenha as cantarias, e a madeira de castanho aparente compõe as portadas, a talha que trabalha os tectos de caixotão simples ou abobadado e as sobreportas com motivos da heráldica da família.


Completam o conjunto a Capela e a Adega, contribuindo para a monumentalidade da leitura global, com as suas volumetrias de grande harmonia.


(41°17'49.15"N 7°42'46.65"W) Casa Mateus – Vila Real - Trás-os-Montes - Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge






Citânia de Santa Luzia - A "cidade velha"

 


A Citânia de Santa Luzia, conhecida localmente como "cidade velha", é um dos castros mais conhecidos do Norte de Portugal situado no Monte de Santa Luzia, bem ao lado do fantástico Santuário de Santa Luzia., sobranceiro a cidade de Viana do Castelo.


Com uma excelente vista sobre o Rio Lima, bem como a área costeira do Atlântico possibilitava condições únicas de defesa com controlo das vias marítimas e terrestres, na antiguidade o rio Lima seria navegável em grande parte do seu curso, o que dava a esta localização uma importância estratégica.


Este povoado fortificado estava delimitado por três linhas de muralha, complementadas por torreões e dois fossos e teve ocupação contínua entre os períodos da Idade do Ferro e a romanização, o que o converte sem dúvida, num dos locais mais importantes para o estudo da Proto-História e da Romanização do Alto Minho.


Segundo os estudiosos a distribuição das estruturas permite aferir momentos distintos de ocupação, podendo enquadrar a reestruturação do espaço entre o séc. I a.C. e o séc. I d.C.


O Povoado apresenta características muito próprias, principalmente ao nível das estruturas arquitetónicas, com destaque para o aparelho poligonal, utilizado em algumas casas, que apresentavam uma planta circular com um vestíbulo ou átrio e que, em alguns casos, albergavam fornos de cozer pão.


À semelhança de inúmeros castros desta área geográfica, A Citânia de Santa Luzia regista claramente vestígios de ocupação romana com algumas habitações de planta retângular e arruamentos perpendiculares.


(41°42'18.70"N 08°50'7.79"W) Monte de Santa Luzia – Viana do Castelo - Minho – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge