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sábado, 30 de outubro de 2021

Pão por Deus: uma tradição muito portuguesa celebrada no dia de Todos os Santos.

 


O Pão Por Deus é uma tradição bem Portuguesa, mas a sua origem evolução e história até hoje é algo fascinante. Por vezes no entanto pensamos que poderá estar ameaçado por um Halloween que até poderá ter raízes longínquas partilhadas.

A globalização tem cada vez implementado mais o Halloween entre os Portugueses. O fenómeno da televisão, e mais recentemente a Internet, trazem até nós esta festividade anglo-saxónica.


As Origens Pagãs

As oferendas aos mortos nestas alturas do ano são comuns em diversas culturas pagãs, incluindo as celtas que habitaram o que é hoje Portugal.

Tendo em conta que muitas teses apontam a origem do Halloween como festividades célticas é interessante ver as semelhanças e desenvolvimento de ambos.

Também sabemos que muitas festas pagãs foram aos poucos tomando roupagens Cristãs, e a pouco e pouco se fundiram.

A Origem do Pão Por Deus Cristão
Com o passar dos anos foi cada vez mais promovido pela Igreja Católica o culto dos mortos, e a tradição de reservar lugar à mesa, e também de deixar comida para os mesmos.

Começou também o costume de deixar o primeiro pão de uma fornada nesta altura à porta da casa tapado por um pano. Seria para honrar os mortos, mas a intenção era também quem de mais pobre por ali passasse tomasse a parte física para si.

Assim este pão para os fieis defuntos começou a ter a vertente de partilha com quem necessitava.


O Terremoto de 1755

Um dos dias mais negros da história de Portugal é o de 1 de Novembro de 1755. Neste Dia de Todos os Santos, Lisboa viria a sofrer a maior catástrofe da sua história, sendo muito do país também afectado por ela.

Aí os afectados por tal tormenta foram a quem algo salvou pedir Pão Por Deus, tentando ter algo para matar a fome, aos que sobreviveram à catástrofe,

Relatos contam que nos anos seguintes nesse mesmo dia se aumentou o costume do Pão Por Deus, em jeito de celebração e agradecimento a quem tinha sobrevivido. Talvez por isso esta tradição seja tradicionalmente mais forte na região da grande Lisboa.






A Evolução até aos dias de Hoje

Com o passar dos anos progressivamente passou a ser cada vez mais um peditório das crianças. No século XX, onde os registos são mais constantes e fiáveis, começamos a ver muito o Pão Por Deus como a festa das Crianças.

Neste dia as crianças de manhã cedo iam de porta em porta a pedir o Pão Por Deus. Recebendo tradicionalmente frutos secos, romãs, pão e bolos.

Nos anos mais recentes, e mesmo contando alguns ciclos de menor fulgor, começou a ver-se cada vez mais como um dia em que as crianças pedem de porta em porta doces, sendo que ainda se continua a ver alguns frutos secos.

O saco de pano do Pão Por Deus é muito comum em todos estes registos, e nos dias que correm continua a existir, sendo que com a Internet temos visto muitos pequenos negócios a vender até versões personalizadas dos mesmos.


O Doçura ou Travessura Português

Um dos pontos de enfoque da cultura popular americana, que nos chega pela televisão e Internet, é a doçura ou travessura. É, no entanto, engraçado ver que algo semelhante existe tradicionalmente registado em Portugal.

As rimas e cantigas são normalmente descritas quando as crianças batem à porta. E em alguns casos vemos que detêm estrofes de agradecimento a quem oferta doces, mas menos simpáticas para quem não o faz. 



A Cantiga Inicial

Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados

À bela, bela cruz
Truz, Truz!

A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s’alevantar
Para vir dar um tostãozinho

A resposta nas casas em que são ofertados doces.

Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho,
Aqui mora um santinho.

E a resposta para quem não os dá
Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho.
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto



Variações ao longo do país 

 
Em muitas outras regiões do país o Pão Por Deus é celebrado. No entanto existe ao longo do território algumas variações do mesmo.

Na estremadura é conhecido muitas vezes como o “Bolinho”, e a tradição é dar bolos festivos especialmente confeccionados nesta época do ano.

Já nos Açores a tradição é dar estas caspiadas, que dizem lembrar a o topo de uma caveira humana, honrando assim também os mortos.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Hoje Celebra-se o Dia da Espiga ... conheça o significado de cada planta do ramo !




O Dia da espiga ou Quinta-feira da espiga é celebrado no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.

As várias plantas que compõem a espiga têm um valor simbólico profano e um valor religioso.

Crê-se que esta celebração tenha origem nas antigas tradições pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias.

O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.

A simbologia por detrás das plantas que formam o ramo de espiga:

Espiga – pão;
Malmequer – ouro e prata;
Papoila – amor e vida;
Oliveira – azeite e paz; luz;
Videira – vinho e alegria
Alecrim – saúde e força.


terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Sabe porque se comemora o Carnaval?


As origens e as tradições do Carnaval em Portugal

A festa de Carnaval chegou ao nosso país nos séculos XV e XVI, recebendo o nome de Entrudo, isto é – introdução à Quaresma. O Carnaval português, que foi exportado para as antigas colónias, em especial para o Brasil (por volta de 1723), sempre teve características diferentes do de outros países da Europa, sendo reconhecido até mesmo por autores portugueses como uma festa marcada por brincadeiras violentas e pesadas.

As ruas enchiam-se de pessoas que encenavam verdadeiras lutas, em que as armas eram ovos crus ou as suas cascas cheias de farinha ou gesso, cartuchos de pós de goma, cabaças de cera com água de cheiro, tremoços, laranjas, tangerinas, pastéis de nata e outros bolos, tubos de vidro ou de cartão para soprar com violência, areia e cinza para jogar em quem passava. Como se tudo isto não bastasse, havia ainda lugares onde a tradição mandava atirar da janela potes, tachos de barro e alguidares sem serventia, com o intuito de acabar com tudo o que de velho existia em casa. Quem nunca foi atingido por um sacoovo, um tomate ou um saco de farinha e até por um balão cheio de água? Não raras vezes se ouve o relato de pessoas que passando perto de habitações, por muito pouco não foi atingido por um tacho velho, um alguidar ou outro qualquer objeto já sem serventia. As lutas de vassouras também já foram frequentes. A desculpa é sempre a mesma e tem séculos: «É Carnaval, ninguém leva a mal!»


Nos finais do séc. XIX, as cidades de Lisboa e Porto quiseram pôr um freio nos excessos cometidos pelos foliões carnavalescos. Assim, começaram a ser organizados bailes de máscaras em clubes socialmente bem frequentados. Foi também nesta época que surgiram, em Lisboa, os «batalhões» populares da Ajuda, Alfama e Campo de Ourique, as batalhas de flores (que se mantêm na tradição do Carnaval de Loulé), de carros ornamentados e o «Carnaval do Porto», com direito a cortejo de carros alegóricos e aparatosa cavalgada.


Apesar de algumas localidades portuguesas apresentarem uma radição carnavalesca mais viva do que outras, a verdade é que não há cidade, vila ou aldeia em Portugal que não festeje o Carnaval, com mais ou menos entusiasmo e alegria. A festa é uma constante, variando apenas as formas de manifestação. Enraizadas no folclore português estão as máscaras com as quais qualquer transformação é possível. A sua origem encontra-se nos antigos rituais pagãos do culto dos mortos em que se acreditava que os espíritos deviam tomar a forma humana. Para a sua personificação, alguém trajava de branco e usava uma máscara.
Atualmente, existe uma grande tradição carnavalesca, nomeadamente o Carnaval da cidade de Ovar, o de Loulé, o da Ilha da Madeira, o da Mealhada eo de Torres Vedras. De todos, destacam-se dois: o da Mealhada, que é visto como a festividade luso-brasileira por excelência, onde o samba, os carros alegóricos, as roupas e até os reis (normalmente artistas brasileiros) inspiram-se no Carnaval mais conhecido do Mundo - o do Rio de Janeiro e o de Torres Vedras, por possuir o Carnaval mais antigo e dito o mais português de Portugal, que se mantém popular e fiel à tradição rejeitando o samba e outros estrangeirismos.


Na cidade de Torres Vedras os festejos carnavalescos assentam o seu sucesso numa festa permanente durante toda a época do entrudo, ou seja, desde sábado gordo, até quarta-feira de cinzas, com o seu ponto alto nos corsos de domingo e terça-feira. Terça-feira é o dia principal do período carnavalesco e, apesar de em Portugal não ser feriado, os serviços públicos e escolas fecham em todo o país. Os reis do Carnaval de Torres são sempre pessoas conhecidas da terra. Normalmente, todos os anos, os corsos são abrilhantados por 13 carros alegóricos de grandes dimensões e muitos grupos de foliões fantasiados, cabeçudos ou gigantones, que se fazem anteceder dos zé-pereiras, munidos de bombos e gaitas de foles. A sátira social e política continua a ser o instrumento privilegiado dos foliões, mas, seja qual for o meio, o fim é comum: divertimento em grande. Mas como tudo o que é bom acaba depressa, a cerimónia do Enterro do Entrudo marca o fim de um ciclo numa ação onde se julga e executa o Rei do Carnaval, num espectáculo de pura sátira.

 





Texto:Ana Flor do Lácio