quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Torre Romana de Centum Cellas - Belmonte…

 


Torre Romana de Centum Cellas também é referida como Centum Cellae ou em outra hora conhecida como Torre de São Cornélio.


Trata-se de um singular monumento lítico em ruínas que, ao longo dos séculos, vem despertado as atenções de curiosos e estudiosos, suscitando as mais diversas lendas e teorias em torno de si.


Uma das tradições, por exemplo, refere que a edificação teria sido uma prisão com uma centena de celas (donde o nome), onde teria estado cativo São Cornélio (donde o nome alternativo).
O monumento, em si, apresenta-se como um dos mais emblemáticos, de todos quantos existem na Beira Interior e se atribuem à presença romana no nosso território.


Estudos realizados pelo IPPAR, entre 1993 e 1998, demonstraram que o edifício da Torre não se encontrava isolado, antes, sim, inserido num conjunto estrutural mais amplo e complexo, que incluía diversos compartimentos, de entre os quais sobressaiam salas, corredores, escadarias, caves e pátios. 

Torre revela-se a parte central e melhor conservada daquela que terá constituído a uilla de Lucius Caecilius, um abastado cidadão romano, negociante de estanho, que, em meados do século I d. C. mandou edificar a sua residência nesta zona, sob direcção de um arquitecto, o qual, ao que tudo parece indicar, conheceria com profundidade as técnicas construtivas ditadas por Vitrúvio.


Composta de apenas dois pisos, a Torre reveste-se de uma evidente centralidade e imponência arquitectónica, em redor da qual se desenvolveu a restante estrutura habitacional, desempenhando um papel de autêntico epicentro das suas eclécticas tarefas diárias.


Datando a sua construção inicial do século I d. C., este edifício foi parcialmente incendiado e destruído em finais do século III, altura em que foi alvo de algumas alterações, designadamente ao nível da disposição dos vários elementos que o compunham na origem. 

De entre este conjunto de remodelações, realçamos a presença de uma sala com abside e larário, para cuja edificação foram reaproveitados materiais pertencentes às estruturas preexistentes. Entretanto, datará da Alta Idade Média a construção de uma capela dedicada a São Cornélio sobre as ruínas da própria uilla, reempregando, para o efeito, e uma vez mais, parte dos seus materiais constitutivos. Esta capela viria, no entanto, a desaparecer já em pleno século XVIII.


(40°22'39.20"N 07°20'33.83"W) Colmeal da Torre – Belmonte - Castelo Branco - Cova da Beira - Portugal

 

Foto@Daniel Jorge

Por terras de Torres Novas... o Castelo e a estatua de D. Sancho I...

 



O castelo de Torres novas foi construído numa posição dominante sobre a vila, à margem do rio Almonda, e fazia parte integrante da chamada Linha do Tejo.


É certo que aqui existia uma povoação Muçulmana à época da Reconquista cristã da Península Ibérica, cuja posse deve ter oscilado ao sabor dos avanços e recuos da linha fronteiriça. Embora se acredite que uma conquista inicial remonte a 1135, perdida em 1137, as fontes documentais são acordes em que Turris foi definitivamente conquistada pelas forças sob o comando de D. Afonso Henriques em 1148, na sequência das conquistas de Santarém e Lisboa, no ano anterior.


Não estão esclarecidas as origens do castelo de Torres Novas, em particular quanto a uma possível ocupação pré-medieval. Ao certo sabe-se que D. Sancho I promoveu a construção de um recinto fortificado, destruído no século XIV no contexto das Guerras Peninsulares que caracterizaram o reinado de D. Fernando. 

O mesmo monarca ordenou a reparação e reconstrução da estrutura, datando dessa campanha de obras os elementos materiais mais relevantes que compõem o castelo. A condução dos trabalhos ficou entregue a mestre Estêvão Domingues e o vedor das obras foi o juíz Lourenço Peres de Santarém, informações que constavam de duas lápides colocadas junto às portas da Praça e do Salvador, e, entretanto, removidas dos seus locais originais.


A configuração do castelo é vincadamente gótica, com planta escudiforme defendida por dez torres quadrangulares salientes da muralha e com acesso preferencial pelo adarve. A porta principal localiza-se no troço Sul e integra-se na antiga casa do Alcaide, que controlava assim o movimento de pessoas e de bens dentro das muralhas. Deveria ser aqui que se localizava a torre de menagem, embora a tradição a identifique no ponto imediatamente oposto, junto à Porta da Traição.


Fortemente danificada pelo terramoto de 1755, que terá ocasionado a derrocada de quatro torres, as décadas seguintes assistiram à reconversão funcional de alguns elementos: o paço do alcaide foi transformado em cadeia e os terrenos contíguos aproveitados por privados, a ponto de o alcaide Francisco Feliciano Castelo Branco, em 1790, reclamar a posse dessas propriedades. Em 1835, o interior do recinto passou a ser usado como cemitério e, finalmente, a 3 de Abril de 1839, D. Maria concedeu à Câmara a plena posse do castelo. 

Esta doação precipitou a ruína do conjunto, uma vez que a opção municipal foi a desmantelar a estrutura, processo parcialmente revertido nas décadas de 40 a 60 do século XX, altura em que a DGEMN reconstruiu alguns troços e as torres que se encontravam praticamente demolidas. (Informação retirada do Web-Site da Direção-Geral do Património Cultural)


(39°28'45.82"N 8°32'25.36"W) Torres Novas - Santarém - Região Centro – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

No coração de Bragança...Praça da Sé

 



Na cidade de Bragança, a Praça da Sé é um local incontornável de quem visita a cidade, actualmente dominada pela antiga igreja da Sé, hoje em dia denominada oficialmente de igreja paroquial de São João Baptista.


Foi a partir dos últimos anos do séc. XVIII que se tornou progressivamente o “coração da urbe”. Em 1864 ainda aí funcionava um mercado diário de “cereais e todos os géneros comestíveis”.
Nos fins do Séc XVII, no centro da praça foi ali erigida a emblemática cruz, conhecida localmente como o “Cruzeiro” - precoce peça escultórica de fuste serpenteado e decorado com motivos vegetalistas para substituir uma outra aí existente.


A actual igreja da Sé fazia parte de um convento de Clarissas, que a Câmara de Bragança decidiu fundar na cidade em 1535, nosterrenos pertencentes ao mosteiro beneditino de Castro de Avelãs.


Para a execução da obra e direcção dos trabalhos, iniciados em 1539, foram contratados como mestres de obra Pêro de la Faia e Fernão Pires. Patrocinado por D. Teodósio I, 5º duque de Bragança, o complexo conventual foi concluído em 1550. Há relatos que indicam que embora o convento estivesse terminado, não tinha religiosas suficientes para o seu funcionamento, pelo que o edifício foi entregue à Companhia de Jesus em 1561, que o transformou em colégio.


Com a expulsão da Companhia de Jesus do território nacional em 1759, o edifício passou para a posse da Coroa. Em 1764 o templo foi elevado a Sé, quando a sede de diocese foi transferida de Miranda do Douro para Bragança.


Com a inauguração da nova catedral em 2001, o templo passou a ser uma igreja paroquial.


A igreja de São João Baptista pode ser classificada como um templo de tipologia híbrida, edificado na sua origem segundo um modelo de gosto classicista que foi posteriormente adaptado aos módulos contra-reformistas da arquitectura jesuíta. O programa decorativo do espaço interior, já plenamente barroco, é considerado um dos melhores da região.


Através da sacristia tem-se acesso ao claustro, de traça renascentista, dividido em dois registos. No primeiro piso, as galerias são formadas por cinco tramos, de ordem toscana, e no segundo a galeria é fechada, marcada por janelas geminadas de moldura rectangular.


Praça da Sé (41°48'21.63"N 06°45'24.21"W) Praça da Sé - Bragança - Trás-os-Montes - Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

Igreja de Santo Ildefonso - uma das igrejas mais bonitas da cidade do Porto.

 

 

Situada numa das extremidades da Praça da Batalha, a igreja de Santo Ildefonso insere-se num enquadramento urbano muito particular. 


Não são conhecidas as edificações anteriores à actual igreja de Santo Ildefonso. Sabe-se apenas que existia, no século XII, uma ermida que terá sido sagrada pelo bispo D. Pedro Pifões. Desta ermida nasceu, então, a igreja de Santo Ildefonso, nos anos 30 do século XVIII. 

Antecedida por uma escadaria de dimensões consideráveis, a fachada denuncia uma tipologia barroca de grande austeridade. O corpo central surge um pouco avançado em relação aos laterais, rematados por torres sineiras. 

Sobre a porta principal, o frontão triangular exibe tímpano com a inscrição "Ildefonse per te vivit domina mea 1730". Sobre o entablamento denticulado, o nicho acolhe a figura do orago da igreja. O revestimento azulejar, da autoria de Jorge Colaço data já do século XX, nomeadamente de 1932, e apresenta painéis figurativos onde se representam cenas da vida de Santo Ildefonso e alegorias à Eucaristia.


No interior, perde-se a noção longitudinal que o exterior aparentava. A nave octogonal configura um espaço centralizado, animado por pilastras que conferem ritmo ao conjunto. A capela-mor, ampliada no decorrer da campanha de obras de meados do século XIX, apresenta retábulo em talha executado por Miguel Francisco da Silva em 1745, mas sob risco de Nicolau Nasoni. 

Aquele entalhador lisboeta seria, mais tarde, responsável pelo grande retábulo da igreja de São Francisco do Porto. Em Santo Ildefonso o desenho atribuído a Nasoni valoriza motivos decorativos - flores, grinaldas, festões, anjos - em detrimento dos motivos arquitectónicos, antecedendo, de alguma forma, a exuberância da talha e das igrejas forradas a ouro que caracterizaram a cidade no decorrer do século XVIII. (Informação retirada do Web-Site da Direção-Geral do Património Cultural)


(41° 8'45.91"N 08°36'24.15"W) Praça da Batalha - Porto – Região Norte – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

Jardim do Paço Episcopal (ou de S. João Baptista) em Castelo Branco.

 


Escadaria monumental na qual desfilam os monarcas da 1ª e 2ª dinastias, além do Conde D. Henrique no magnifico Jardim do Paço Episcopal (ou de S. João Baptista) em Castelo Branco.


Curiosamente no patamar fundeiro, antes da ascensão, encontram-se os reis intrusos (os Filipes) e o Cardeal D. Henrique, adepto da causa castelhana, estatuas de menores dimensões. 


Na cultura Ocidental, o conceito bíblico do Éden serviu de matriz, ao longo dos tempos, a inúmeras propostas de jardins. Dai que o jardim seja considerado uma evocação, ainda que imperfeita, do Paraíso na terra.


O Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco com uma área de 5 418 m2, revela-se como um dos mais originais exemplares do barroco em Portugal.


Foi o Bispo da Guarda, D. João de Mendonça que encomendou e provavelmente orientou as obras do Jardim. Este formoso jardim barroco, em forma rectangular, é dominado por balcões e varandas com guardas de ferro e balaústres de cantaria. Dispõe de cinco lagos, com bordos trabalhados, nos quais estão montados jogos de água. Em termos formais o Jardim divide-se em quatro sítios diferentes, mas ligados por diversos pontos de articulação: a entrada, o patamar do buxo, o Jardim Alagado e o Plano Superior. 

A Entrada actual do jardim faz-se pelo R. Bartolomeu da Costa desde 1936. O desenho obedeceu ao espírito do lugar, quer no que diz respeito aos Canteiros quer à Escadaria monumental que conduz ao Plano Superior O patamar do Buxo tem planta rectangular, constitui o patamar principal do jardim e divide-se em 24 talhões limitados por sebes de buxo. É aqui que se encontram, numa alusão às 5 chagas de Cristo, cinco lagos com repuxos. É aqui também que se encontra a Escadaria dos Reis, repuxos e jogos de água surpreendentes. 

Por entre canteiros de buxo de fino recorte, erguem-se simbólicas estátuas de granito, em que se destacam os Novíssimos do Homem, Quatro Virtudes Cardeais, as Três Virtudes Teologais, os Signos do Zodíaco, as Partes do Mundo, as Quatro Estações do Ano, o Fogo e a Caça. Dispostos à maneira de escadório, acham-se representados os Apóstolos e os Reis de Portugal até D. José I. O Jardim alagado contíguo ao anterior. 

Parece emergir de um lago. É pela escadaria do lado poente que se chega ao patamar superior do Jardim onde se encontram estátuas alusivas ao Antigo Testamento e à simbologia da água como elemento purificador.


(39°49'40.16"N 07°29'37.73"W) Jardim do Paço Episcopal – Castelo Branco – Região Centro – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

O Café Majestic é considerado um dos mais belos do mundo!

 



O Café Majestic é um café histórico na Rua de Santa Catarina, um dos ex-libris da cidade do Porto.


A sua relevância advém tanto da ambiência cultural que o envolve, nomeadamente a tradição do café tertúlia, onde se encontravam várias personalidades da vida cultural e artística da cidade, como também da sua arquitectura de identidade Arte Nova, em 2011 entrou no “TOP 10 MOST BEAUTIFUL CAFÉS IN THE WORLD “, sendo considerado o sexto café mais bonito do mundo.
Inaugurado a 17 de dezembro de 1921, com o nome de "Elite", o café, esteve desde logo associado a uma certa frequência das pessoas distintas da época. Um dos que estiveram presentes na inauguração foi o piloto aviador Gago Coutinho, acabado de chegar de uma viagem à ilha da Madeira, e que ficou encantado com o esplendor da decoração arte nova.


No ano seguinte o nome mudaria de Elite para Majestic, sugerindo o Chic Parisiense, mais ao encontro da clientela que pretendia atrair, e tão apreciado na época.


Frequentaram o café nomes como Teixeira de Pascoaes, José Régio, António Nobre, o filósofo Leonardo Coimbra. Mais tarde tornou-se lugar assíduo para os estudantes e professores da Escola de Belas Artes do Porto.


Uma outra das conhecidas tertúlias que o animou era constituída pelo escultor José Rodrigues e pelos pintores Armando Alves, Ângelo de Sousa e Jorge Pinheiro. Este grupo adoptaria, devido à classificação final do curso, o irónico nome de "Os quatro vintes", e manter-se-ia unido numa série de exposições no Porto, em Lisboa e em Paris no período 1968-1971.


Na biografia de J.K. Rowling escrita por Sean Smith, refere-se que a escritora passava muito tempo no Café Majestic a trabalhar no primeiro livro "Harry Potter e a Pedra Filosofal"


O Café Majestic de traça idealizada pelo arquitecto João Queirós, inspirada na obra do mestre Marques da Silva, permanece ainda hoje como um dos mais belos e representativos exemplares de Arte Nova na cidade do Porto. O edifício, fundeado em 1916 no ângulo formado pelas ruas de Santa Catarina e Passos Manuel.


A imponente fachada em mármore, adornada com aspectos vegetalistas de formas sinuosas, reflecte o bom estilo decorativo da altura. Um trio de elegantes colunas marca a frontaria, limitada por uma secção rectangular, rasgada em vidro. No topo um frontão coroa a composição com as iniciais do Majestic. 

Ladeiam-no duas representações de crianças que, divertidas, convidam o transeunte a entrar. Dentro do estabelecimento, de planta rectangular, reina a linguagem Arte Nova.

 A simetria curvilínea das molduras em madeira e os pormenores decorativos cativam a observação. Grandes espelhos riscados pela idade, intercalados por candeeiros em metal trabalhado, delimitam as paredes num inteligente jogo óptico de amplitude, que lhe dá uma dimensão maior que a real.


A 24 de Janeiro de 1983 foi classificado como Imóvel de Interesse Público e "património cultural" da cidade, e hoje é, indubitavelmente, uma das mais importantes atrações turísticas da cidade do Porto.


(41° 8'49.98"N 08°36'24.20"W) Rua de Santa Catarina - Porto - Região Norte – Portugal

 

@Foto Daniel Jorge

Santuário do Senhor Jesus da Pedra

 


Imponente construção em formato hexagonal, mesmo aos “pés” da Vila medieval de Óbidos.


Santuário em estilo barroco, esta Igreja destaca-se sobretudo pela originalidade da articulação da sua planta hexagonal, inscrita numa circunferência, à qual se anexam três corpos, dois correspondentes às torres e outro que corresponde à sacristia. 

No seu programa de simetrias destaca-se o jogo de janelas invertidas. O seu interior apresenta três capelas: a capela-mor dedicada ao Calvário, com uma tela de André Gonçalves, e as capelas laterais dedicadas a Nossa Senhora da Conceição e à Morte de São José, com telas de José da Costa Negreiros. 

Destacam-se ainda as belas talhas barrocas, mármores, imagens e mobiliário, com telas de Vieira Portuense e de Pedro Alexandrino de Carvalho.


Como é apanágio da época e também da nossa cultura, este santuário está envolto em lendas que pretendem justificar a origem do Santuário. Possuem em comum a acção milagrosa de uma antiga cruz de pedra com a imagem esculpida de Cristo crucificado, hoje exposta no altar-mor da igreja.


A mais popular e que nos dias que vivemos hoje seria de grande importância (devido a seca que vivemos), afirma que na década de 1730, vivendo a região uma prolongada seca com grandes prejuízos para a agricultura, um lavrador foi chamado pela imagem, que se encontrava escondida num combro por entre silvados, em terreno da Colegiada de Santa Maria de Óbidos, junto à estrada que ligava esta vila a Caldas da Rainha. A imagem "clamou-lhe" veneração, o que o lavrador veio a cumprir com o concurso de alguns outros populares, registando-se a partir de então as chuvas.


A tradição pretende ainda que aquela pequena escultura havia ali sido colocada pela própria rainha D. Leonor, para indicar o caminho das águas curativas de Caldas, constituindo-se em objecto de veneração à época daquela soberana, mas tendo depois caído no esquecimento. 

Com a sua redescoberta pelo lavrador e o subsequente "milagre", a imagem voltou a ser objecto de devoção popular, tendo sido erigida uma capela de madeira para albergá-la, e pouco mais tarde este magnifico santuário.


(39°21'52.43"N 09° 8'59.96"W), Óbidos – Leiria - sub-região do Oeste – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge