quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Fortaleza de Juromenha

 


 Fortaleza de Juromenha (Séc. XVII), foi em tempos remotos considerada uma das chaves da fronteira do Alentejo.


Construída no período entre a Guerra da Restauração e a Guerra Peninsular (terceiro quartel do século XVII), no local ponde existiu um castelo medieval, a fortificação é considerada do tipo misto, apresenta planta poligonal, composta por duas cinturas de muralhas, uma interna, onde se inscreve a antiga Torre de Menagem, e outra, externa, do tipo abaluartado no sistema de Vauban, onde se observa a presença dos diversos elementos deste tipo de fortificação: cortinas, revelins, fossos-secos, canhoneiras e outros.


No interior das suas muralhas foram edificadas a Igreja Matriz e a Igreja da Misericórdia, bem como reedificado o antigo Paço do Concelho e cadeia. Uma cisterna de planta rectangular, abastecia a guarnição e os habitantes.


As primeiras referências ao sítio da Juromenha datam da segunda metade do século IX. Durante mais de duzentos anos este local foi considerado a praça-forte de defesa da zona de Badajoz, pertencendo desde o século X ao Califado de Córdova. Em 1167 D. Afonso Henriques conquistou a fortaleza, mas esta voltaria ao domínio do Califa Almasor em 1191. 

Este espaço de defesa do Guadiana só seria definitivamente reconquistado pela Coroa portuguesa em 1242.
Apesar de ter sido objecto de uma total reconstrução em 1312 por ordem de D. Dinis, a fortaleza foi entrando em progressiva decadência a partir do século XVI, só sendo revitalizada no período pós-Restauração, devido à sua importância estratégica.


No ano de 1644 eram apresentados ao Conselho de Guerra de D. João IV três planos de fortificação de Juromenha, que tinham como objectivo adaptar a velha fortaleza medieval à artilharia seiscentista. 

O da autoria do Padre João Cosmander, foi escolhido pelo Conselho, embora algum tempo depois as obras tenham sido interrompidas devido aos elevados custos materiais e à inviabilidade técnica do mesmo. Sendo então o plano, da autoria do engenheiro francês Nicolau de Langres, aprovado em 1646.


(38°44'16.89"N 07°14'22.97"W). Juromenha – Alandroal – Évora - Alentejo – Portugal

Foto@ Daniel Jorge

Castelo Medieval de Portel

 




O castelo de Portel ergue-se em posição dominante num dos contrafortes da serra de Portel, sobre a vila medieval.


A construção do castelo teve início durante a segunda metade do século XIII sendo senhor das terras de Portel Mafomede João de Aboim por doação de D. Afonso III de Portugal.


O castelo, apresenta um estilo gótico, com planta heptagonal reforçada por torres de planta circular nos vértices. A sua forma, novidade na arquitetura militar portuguesa à época, parece ter sido inspirada no Castelo de Angers, na França. É dominado por uma imponente torre de menagem, de planta quadrangular, que se ergue a cerca de vinte e cinco metros de altura, dividida internamente em dois pavimentos acima da linha do adarve, ambos cobertos por abóbada em cruzaria de ogiva. O pavimento inferior serviu de cárcere. Foi utilizada a pedra mármore nos cunhais e nas janelas góticas. A porta de acesso à torre é em ogiva.


Apos a morte de João Aboim e devido a contenda entre os herdeiros pela posse da honra, o castelo reverteu para a posse da Coroa durante o reinado de D. Dinis, que então construi a cerca da vila.


No contexto da crise de 1383-1385, Fernão Gonçalves de Sousa, alcaide de Portel, tomou o partido de Castela, e com receio dos moradores, tomou-lhes as armas a todos e pô-las no castelo. Em Novembro de 1384, no desenvolvimento da campanha alentejana pelas forças do Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, um clérigo de Portel, de nome João Mateus, abriu-lhes as portas da vila, facilitando a conquista da povoação e a rendição do castelo. Os seus domínios, após a batalha de Aljubarrota estariam compreendidos na ampla doação de terras e direitos que o soberano fez aquele Condestável, passando, por sucessão, para os domínios da Casa de Bragança.
Posteriormente, sob o reinado de D. Manuel I, a povoação e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509). 

 

Nessa época a estrutura do castelo foi remodelada dando lugar ao paço dos duques de Bragança e a uma barbacã (1510), ficando as obras a cargo do arquitecto-régio Francisco de Arruda, por instância de D. Jaime, duque de Bragança.


Perdida a sua função defensiva, afastado da linha lindeira e das principais vias de acesso ao território alentejano, o castelo foi progressivamente abandonado até se converter em ruínas no século XIX.


(38°18'32.41"N 07°42'10.94"W) Castelo – Portel – Évora - Alentejo - Portugal

 

 

Foto: @Daniel Jorge

No “Reino” mágico do Minho… Aldeia de Sistelo e os seus Socalcos…

 


A aldeia de Sistelo situa-se no concelho de Arcos de Valdevez, na fronteira do Parque Nacional da Peneda-Gerês, junto à nascente do rio Vez. Famosa pelas suas paisagens em socalcos, onde se cultiva o milho e pasta o gado, a aldeia encontra-se muito bem preservada, tendo sido recuperadas as casas típicas de granito, os espigueiros e os lavadouros públicos.


O Castelo de Sistelo, ex-líbris da aldeia, trata-se na verdade mais de um palácio de finais do século XIX onde viveu o Visconde de Sistelo.


A Direcção Regional de Cultura do Norte reconheceu a freguesia de Sistelo, nos Arcos de Valdevez, como ‘paisagem cultural’.
Sistelo é famoso pelos seus socalcos, que surgem pela necessidade de aumentar a superfície agrícola e de contrariar os declives. São plataformas mais ou menos planas de solo profundo e fértil, construídas nas vertentes das montanhas, sobrepostas umas às outras em escadaria e suportadas por grandiosos muros de pedra. Estas estruturas permitiriam o desenvolvimento de uma agricultura de subsistência de extrema importância para a sobrevivência das comunidades rurais.


Segundo o Autarca de Arcos de Valdevez; os excecionais socalcos de produção agrícola, únicos no país, e que valeram já a Sistelo uma outra classificação informal, a de 'pequeno Tibete português'".


(41°58'24.74"N 08°22'27.65"W) Sistelo - Arcos de Valdevez - Viana do Castelo- Minho – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

Praia do Creiro e a Pedra da Anicha.

 


Aos pés da Serra da Arrábida, entre a praia dos Coelhos e o Portinho da Arrábida encontra-se a praia do Creiro apresenta um areal muito extenso que compreende quase metade da linha costeira da baía em que está inserida, e destaca-se pela curiosidade da Pedra da Anicha, uma pequena ilhota frente ao conhecido “monte branco”.


A Pedra da Anicha é o ex-libris da Arrábida, um pequeno ilhéu envolto em lendas e mistério como é a história do “Deus Demónio da Pedra da Anicha”.


Está a 100 metros da costa, na praia do Portinho da Arrábida e tem 60 metros de comprimento. 

A enorme diversidade biológica que apresenta deve-se aos fundos arenosos sobre os quais assenta. 


No acesso a praia, ao descermos o final da encosta da Serra da Arrábida, encontra-se um sito arqueológico da época Romana, aqui erguia-se um complexo industrial de produção de salgas de peixe da época Romana (Séc. I-V d.C.) composto por fábrica, balneários e armazéns.


Esta fábrica Romana de Salgas de Peixe foi construída no terceiro quartel do Séc. I d.C.


(38°28'49.44"N 08°58'39.32"W) praia do Creiro - São Lourenço - Azeitão - Setúbal - Portugal

 

Foto@Daniel Jorge

 

 


Sarzedas - O encanto das aldeias de Xisto

 


A aldeia de Xisto de Sarzedas, está situada na “zona raiana”, tendo por limites, a Norte, a serra da Gardunha e, a Sul, o rio Tejo. Está situada à beira daquela que foi, desde o séc. XVIII e até grande parte do séc. XX, a principal estrada de Castelo Branco para Proença-a-Nova, Sertã, Abrantes/Lisboa e Coimbra.


O material de construção predominante é o xisto. Nas fachadas e muros não rebocadas verificamos que o aparelho de xisto integra - tal como em outras Aldeias do Xisto - calhau rolado de tons claros, de quartzo leitoso ou quartzito. Nalguns casos também taipa. 

O granito é frequentemente utilizado em alguns vãos (ombreiras, padieiras, soleiras e peitoris). Hoje em dia a grande maioria das fachadas encontra-se rebocada e pintada, nalguns casos utilizando cores garridas em decorações características da Beira Baixa.


A aldeia de Sarzedas teve um título nobiliárquico atribuído por carta régia de Filipe III em 1630 e que passou por nove titulares, vindo a terminar com a morte da última condessa por não ter sucessores directos em 1748, a partir desta data a vila de Sarzedas e o seu termo foram integrados nos bens da Coroa. Os Condes de Sarzedas tiveram a sua moradia no Palácio da Palhavã, em Lisboa, edifício actualmente ocupado pela embaixada de Espanha.


Mas a História documentada de Sarzedas, começa em 1210, quando D. Sancho I “O Povoador”, solicita ao concelho da Covilhã, um herdamento (uma herança) dentro do seu termo para o monarca entregar ao seu filho bastardo, D. Gil Sanches e ao clérigo fidalgo, D. Paio Pais, seu arcediago. 

O concelho da Covilhã - que tinha recebido o seu foral do mesmo rei em 1186 - responde: "Eu o alcaide e nós os alcades do concelho da Covilhã vimos as cartas do senhor rei Sancho, noas quais nos mandava pedir um herdamento com terras para seu filho D. Gil Sanches e para Pero Pais, devendo ambos possuí-lo ao meio. 

Demo-lo como o senhor rei manda, para que povoem, criem e lavrem, e sejam reconhecidos por moradores dentro do termo da Covilhã." A Covilhã cedeu o território de Sarzedas e D. Gil Sanches foi Senhor de Sarzedas conjuntamente com Paio Pais, concedendo-lhe foral* em 1212, segundo os costumes da Covilhã, para a restaurar e povoar.


Já em 1762 - com Portugal envolvido na Guerra dos Sete Anos, esta região foi invadida pelos exércitos franco-espanhóis, e Sarzedas foi ocupada, tendo sido aqui que o general invasor, o espanhol Conde de Aranha, estabeleceu o seu quartel.


No início do séc. XIX Sarzedas sofre novamente os horrores da guerra, quando Napoleão decide invadir Portugal. A 22 de Novembro de 1807 a Divisão Loison entrou em Sarzedas. A lista de crimes, saques, incêndios e roubos dá uma triste celebridade à povoação: entre outras atrocidades e sacrilégios destruíram o interior e bens da Igreja Matriz. De novo em 06 de Julho de 1808 passam por Sarzedas as tropas napoleónicas arrombando e despojando a igreja matriz, tal como em 1807.


Em 1848, com as reformas administrativas de Mouzinho da Silveira, o então concelho de Sarzedas foi extinto.
(Informações da página Oficial das Aldeias de Xisto)


(39°51'1.21"N 7°41'4.42"W), R. Conde Sarzedas – Sarzedas – Castelo Branco -Beira Baixa - Região Centro – Portugal

 

Foto@ Daniel Jorge

Capela de Santo Amaro - um dos grandes tesouros renascentistas da capital portuguesa.



Lisboa encantada… galilé semicircular da Capela renascentista de Santo Amaro...


Fantástica galilé semicircular em que as paredes estão totalmente revestidas por azulejos policromos tardo-maneiristas com figurações alusivas a Santo Amaro.


Situada no topo de uma colina sobranceira ao Rio Tejo, perto do vale de Alcântara, a Capela de Santo Amaro é um dos grandes tesouros renascentistas da capital portuguesa. 

A Capela espelha o misticismo da cidade das sete colinas. Foi desde cedo local de romaria, tornando-se famosa pela Romaria de Santo Amaro, uma das mais apreciadas em toda a cidade, tendo a última sido realizada em 1911.


A Ermida/Capela de Santo Amaro, foi edificada em 1549 conforme indica a inscrição colocada sobre a porta principal do templo, o projeto é atribuído a Diogo de Torralva, um dos grandes arquitectos do século XVI português, que tão bem explorou e entendeu o novo gosto do Maneirismo, nomeadamente as vias da tratadística italiana da época.


De estrutura centralizada, única na cidade de Lisboa, é composta por dois cilindros, sendo o núcleo da estrutura o espaço circular do oratório, envolvido em metade da sua área por uma galilé semicircular que compõe a fachada, à qual corresponde, do lado oposto direito, à sua pequena capela-mor, sacristia, também cilíndrica com pinturas a óleo no teto.


Foi Templo de peregrinação, e a fundação da capela dedicada ao santo milagreiro está envolta em lendas, não se sabendo ao certo se a sua instituição se deve a um grupo de marinheiros galegos ou a uma confraria instituída no local em 1532 por freires da Ordem de Cristo, com autorização régia de D. João III.


O adro da capela é também por sua vez um dos mais interessantes miradouros de Lisboa, uma maravilha escondida entre as ruelas e colinas de Lisboa, quase sempre deserto, acabou por tornar-se um refúgio perfeito para quem procura um sítio sossegado e interessante para apreciar panorâmicas privilegiadas sobre o Tejo e a Ponte 25 de Abril.


(38°42'6.83"N 09°10'56.78"W) Capela de Santo Amaro - Alcântara– Lisboa – Portugal

 

Foto@Daniel Jorge

Forte da Ínsua - Praia de Moledo

 


No extremo norte da praia de Moledo a 200m da costa, encontra-se a Ínsua de Santo Isidro, uma pequena ilha rochosa, numa excelente posição estratégica um pouco antes da foz do rio Minho, local escolhido para a construção do Forte da Ínsua.


Aqui inicialmente construíram uma capela e era local de culto, posteriormente, em 1392, frades franciscanos da Galiza sob a direcção de frei Diogo Arias, edificaram um cenóbio (Convento) na ínsula. Datará desse período a primeira fortificação no local, com a função de protecção da barra daquele rio e dos religiosos, erguida por determinação de João I de Portugal.
posteriormente foram construindo e reconstruindo fortificações para a protecção contra Piratas e Corsários tendo no século XVII e XVIII sido alvo de obras que o transformaram num baluarte de defesa da costa.


O actual forte setecentista resulta de obras de de construção/reconstrução sob o reinado de João IV de Portugal.
A actual Fortificação marítima abaluartada, apresenta planta estrelada irregular, com cinco baluartes e revelim, integrando no seu interior construções do convento, ampliado em 1676.
Nos cunhais dos quatro baluartes principais foram erguidas guaritas facetadas com cobertura em calote esférica, e num dos panos da muralha foi edificado um balcão rectangular sobre mísulas, com cobertura semelhante. A meio do pano da muralha rasga-se o portão de armas, em arco pleno, inserido numa estrutura rectangular em ressalto, sobre a qual assenta um frontão triangular, cujo tímpano é decorado por três brasões com as armas de Portugal e do Governador.


Numa lápide com inscrição alusiva à edificação da fortificação pode-se ler:


"A Piedade do muito Alto e Poderoso monarca el rei D. João IV / ministrada pela intervenção e assistência de D. Diogo de Lima / Nogueira General e Visconde de Vila Nova da Cerveira Governador das / armas e exército da Província de Entre Douro e Minho dedicaram / esta fortificação à sereníssima Rainha dos Anjos Nossa Senhora / da Ínsua para asilo e defesa das religiosas da Primeira Regra / Seráfica que assistem nos contínuos júbilos desta Senhora debaixo / de cujo patrocínio se assegura a defesa desta corte. Fez-se a / obra na era de 1650"


A praça de armas é dividida em duas áreas. A primeira corresponde a uma ampla plataforma lajeada, onde foram edificados os quartéis, depósito e cozinha. 

No espaço restante foi incorporado o convento, de estrutura sóbria e austera, de modelo chão, cujo conjunto é formado pela igreja, de planta longitudinal composta por nave única coberta por abóbada de berço e sacristia, e pelo claustro, de planta quadrangular, com alas compostas por colunatas jónicas.


Um poço de água potável abastecia a guarnição, composta por um Governador (comandante) e doze praças, revezados semanalmente. Esse poço é notável por se situar no mar, sendo um dos três únicos existentes no mundo.


(41°51'32.54"N 08°52'28.84"W) Ínsua de Santo Isidro - Moledo – Caminha – Viana do Castelo - Portugal

 

Foto@Daniel Jorge